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Para Refletirmos

O pensamento comunista me trás sentimentos de profundo amor. É como as gotas de chuva para as plantas depois de um longo período de estiagem: vem para purificar e dar lugar a nova estação.

Miriam Pacheco S. Seixas

sexta-feira, 8 de julho de 2011

SOPÃO DA EDUCAÇÃO



Míriam Pacheco
Desabafo pessoal

Hoje, não venho escrever como blogueira, mas sim como professora, grevista e indignada. Ao ver meu extrato bancário, me deu vontade de chorar, uma enorme dor no bolso. Chorar de raiva, de indignação. São tantos sentimentos misturados que faltam palavras para expressar. Uma coisa é saber que foram cortados os 16, dos 35 dias de greve, outra coisa é você sentir o seu extrato bancário, já tão sofrido, espirrar mais este nosso sofrimento de ser educador no Brasil. Mas nem por isso, estou desanimada, nem por isso vou desistir de continuar lutando. Continuarei a lutar por que sou professora, por que tenho consciência política, sou cidadã dessa cidade sofrida que é Ribeirão das Neves. 

Voltar para sala de aula agora é dizer que nossa luta não tem sentido. E outra coisa, essa administração municipal já demonstra sua irresponsabilidade a muito tempo. Nenhum assunto de relevância para a cidade contamos com a presença da pessoa do senhor prefeito (ele não apareceu em nenhum dos movimentos populares de luta para uma cidade melhor, exemplo: audiências públicas), mas nas festanças que não trazem crescimento significativo para a cidade o senhor prefeito aparece. Muitas pessoas da população, inclusive a Rede Nós Amamos Neves, tem nos dado total apoio. Estamos fazendo história nessa cidade, estamos mudando o perfil dessa administração que está acostumada a apadrinhar funcionários sem qualificação, apenas por indicação, e, depois do concurso (graças ao Ministério Público), a história de calar a boca do funcionalismo municipal terminou. A luta está apenas começando companheiros. A luta precisa ir até a vitória, já sofremos demais, na verdade, já sofremos muitos anos.

Permaneceremos de greve até a vitória, até que seja feita justiça. Agora, mais do que nunca, mexeram no meu bolso (o que já fazem a mais tempo por não valorizar nossa categoria), mexeram no meu "brio" de cidadã nevense. 

Deixo aqui meu desabafo, e já dizendo para os companheiros de luta: estarei de greve até que as negociações sejam retomadas e que a situação seja a nosso favor.

Encerro aqui meu desabafo, antes que acabe o 'brio' e me reste apenas a indignação e das mais brutas (ô vontade de dar porrada).

Vejam o vídeo da manifestação de hoje que foi muito bonita.


quarta-feira, 6 de julho de 2011

Não voltamos pra Escola

A greve dos professores de Ribeirão das Neves se mantem forte. E o grito de Greve ecoa: "Com luta, com garra, o Piso sai na marra"; "Se o prefeito enrola, enrola, não voltamos pra escola". A atual administração não se abre a negociação.
Vejam os vídeos abaixo, sobre a manifestação de ontem, 05/07/2011.



terça-feira, 5 de julho de 2011

Informativo do Sind-UTE Neves



Vergonhosa a situação da prefeitura de Ribeirão das Neves. E que ainda divulgou, irresponsavelmente, à  população que ligou para a Secretaria de Educação no dia de ontem, 04/07/11, que as aulas voltariam ao normal. A secretaria de Educação, assim como o senhor prefeito, fazendo isso, acharam que os educadores voltariam para as salas de aula.

A resposta dos professores é sempre em Assembléia. E hoje a Assembléia, que é soberana, votou, em frente ao Gabinete da Prefeitura, pela continuação da greve por tempo indeterminado. Após o voto pela permanência da greve, nos dirigimos à Secretaria Municipal de Educação, em cortejo funébre (nem tão funébre, ao invés de tristeza pelos 16 dias cortados para esta folha de pagamento e por mais 19 dias para próxima folha, a categoria se mostra alegre e com muita disposição), no portão da secretaria queimamos o 'caixão' (vide foto do NevesNews) que simbolizava o enterro da educação, do prefeito e sua vice.

O movimento foi muito bonito, com a participação de aproximadamente 300 pessoas, e como sempre, com apitos, faixas, bandeirinhas e muitos aplausos e gritos de apoio a greve. O movimento ainda contou com o apoio dos vereadores da bancada de oposição (Fabio Caballero e Deley), do Ronaldo que é um dos representantes da Rede Nós Amamos Neves, com os representantes e companheiros de luta da Sind-UTE estadual que sempre nos apoiam, dentre eles vale destacar o companheiro Romulo que sempre está nas nossas manifestações, e ainda de Vanessa Portugal da Rede Municipal de Belo Horizonte.

(Foto: NevesNews)

quarta-feira, 29 de junho de 2011

PERIFERIA – MUNDO DE DIVERSIDADE OU DE GLOBALIZAÇÃO

(Neves - foto da janela da minha casa)

 Miriam Pacheco da Silva Seixas - Professora e Psicopedagoga



Vivo num mundo conturbado. Me consideram uma criança ou, por vezes, um adolescente desmiolado, e quando querem me reprimir me chamam de menor abandonado. De abandono familiar não sofro não, sofro do abandono social. Há quem me veja como um fantasma urbano ou pedinte marginal; na feirinha as madames me chamam garoto carregador, nas ruas que trabalho, tenho nomes diferentes: o garoto do jornal, engraxate. Pros malandros sou moleque, e os “gambé” me chamam de cheira pó. Na escola os professores me chamam de o número 32 da turma D ou então o magricela de boné da turma D. Sou anônimo quando convém. Já os colegas de escola me deram o apelido de fuinha, pelo meu tamanho e por ficar sempre pelos cantos – é que não me enquadro na galera.

Moro na periferia, numa cidade grande em extensão e maior ainda em desigualdade, onde tem mais gente que emprego. É conhecida como cidade dormitório - quase todo mundo sai daqui pra capital a fim de arrumar um trampo. Também começam a chamar a cidade onde moro de cidade presídio; os políticos vêem as terras daqui como um lugar pra marginal ficar. Quando falo onde moro as pessoas têm medo ou fazem piadas. Além de a cidade ter má fama, ainda moro em bairro pequeno. Para a TV sempre que morador de periferia faz algo digno e tenta honestamente superar o caos e a penúria, ajudando ao próximo e sendo um ser de caráter, os telejornais anunciam o lugar como comunidade ou vila. Quando acontece algo errado, quando a chapa esquenta, o lugar será chamado de favela ou aglomerado.


Pra sobreviver tenho muita coisa pra fazer, atividades são o que não me faltam. Sou engraxate, jornaleiro, vendo balas, faço malabarismos pelas ruas da capital, carrego sacolinhas das madames na feira e, pra aumentar a renda da família, vou à escola, pois tenho que estar sempre presente, mesmo que com pensamento ausente, a fim de garantir o bolsa-família, renda extra para o pão da cesta.


É a escola o lugar que mais gosto. Dizem que escola dá futuro. Ainda espero ter retorno deste lugar. A escola é meu único lugar de descontração e diversão. Lá tem grupo de alunos que mandam mais que qualquer adulto, professores que andam sempre acuados perante alguns alunos; e eu, no meu canto, fico ali sempre calado, matutando e vendo tudo o que se passa ao meu redor. Toca o sinal e entra um professor - aula de história sobre um mundo diversificado e também globalizado. Mas que coisa mais maluca, ser um mundo de diversidade e também global? Global pra quem? Diversificado pra quem? Diz o professor que somos uma mistura de raças - somos brancos, negros e índios, e nossa cultura tem herança das três. Chega a professora de Língua Portuguesa com a nova regra ortográfica. Dizem que com isso o Brasil e países de língua portuguesa vão ficar mais próximos, padronizados, mas eu nem sei onde fica Portugal, nem no mapa. Êta, língua chata! Cheia de regras para escrever! Mas pra falar vai de qualquer jeito “mermo”, ainda mais pra quem vive da rua. No fundo da sala acontece uma confusão: o Mané e o Zé Borracha discutem sobre uma palavra escrita no quadro. A professora intervém no assunto pra dizer que o Mané entende o significado de forma diferente porque é do norte, enquanto o Zé Borracha é daqui da comunidade. Ela diz que isso é diversidade cultural. Ora, a nova ortografia é global ou diversificada? Tempo curto é o do intervalo. Mau dá pra comer a regrada merenda, correr no banheiro e, se for bem esperto, tirar sarro com a cara de alguém, essa é uma diversão geral. Só que às vezes a galera da geral pega pesado e ai muita gente se dá mal.


Escola é bom demais, vou sendo empurrado pra frente sem aprender quase nada, bem dizer nada, escrevo mau, em todas as provas e redações minha nota é fraca. É sempre a mesma história. E na matemática sou um fracasso - cálculos complicados e prova zerada. O professor me disse pra prestar atenção e exercitar os fatos, mas quando tô no trampo ninguém fica me devendo os trocados, desse cálculo eu entendo. Os do professor é que não dá pra entender, tem regras demais pra decorar.


Vou pra casa cansado e mamulengo, e ainda pensando no que vale mais: diversidade ou globalização?


Chego em casa pro rango. Nas panelas o de sempre: arroz, feijão e ovo. Rapo o prato em frente à televisão. Mudo de canal e não encontro novidade nenhuma, todos os canais têm as mesmas coisas, isso sim é globalização! Mas também achei diversidade nas novelas. Passa uma cena de periferia, diferente da minha comunidade. O povo na novela toma café da manhã na mesa com a família toda em volta. Tem prato, xícara e muitas frutas, pão, bolo, leite, suco e café, e todos usam o talher pra comer. Aqui em casa minha mãe acorda cedo e côa o café - uma água rala - e deixa na garrafa. Leite é raridade, é produto consumido só pelos pequeninos. O pão sou eu quem compra, deixo-o sempre em cima da mesa ou do armário, e é comido a seco, sem manteiga ou margarina. É festa às vezes ter um pão com ovo no lanche de sábado à tarde, dia de faxina no barraco, dia da mãe na correria e pai na bebedeira. No domingo tem frango, pagode, forró e confusão, mas na novela todo capítulo tem comida de montão. Coisa que a gente da periferia come em dia de festa, na TV todos comem diariamente, cheios de frescuras, usando garfo e faca, e a cada bebida num tipo de copo ou taça. Que coisa mais chata! Bom mesmo é comer de colher, meter a mão no frango e tomar limonada em copo americano, que por estas bandas chamam de copo lagoinha.


Vem a segunda-feira, e com ela um desespero danado. Acaba o sossego e os sonhos. Volto à realidade dos pobres e dos coitados. Pego o lotação, espremido feito sardinha em lata, e vou à capital começar minha labuta. Quem sou, não importa. A cidade onde moro tem nome, Ribeirão das Neves. Fica na grande BH, mas pra mim moro nos rincões do Brasil, sou um pobre púbere, que ainda se lembra que na sua cidade nasceu Henfil.

Observação: Escrevi este texto em 2009, depois de várias formatações do computador 'perdi o texto de vista'. Hoje ao ler um texto da professora Luana Diana dos Santos, no Blogueiras Feministas. Resolvi fazer uma verdadeira 'caça' ao meu texto que foi pulicado no viomundo em 2009, pelo jornalista Luiz Carlos Azenha. Depois da  pesquisa no google encontrei meu texto no Suburbano Digital.   

terça-feira, 28 de junho de 2011

Assembléia dos profissionais da Educação de Ribeirão das Neves

Os profissionais da Educação do município de Ribeirão das Neves, aguardam desde o dia 30 de março/2011 a negociação com o a atual administração municipal. Este ano a categoria resolveu, diferente de outros anos, apresentar uma pauta de negociação bem 'enxuta', devido a falta de compromisso dessa administração em negociar com os educadores que, desde o ano de 2009, apresentavam uma pauta de negociação mais extensa, este ano resolveu fazer diferente, no intuito de alcançar melhor resultado.

Os profissionais de educação, vem lutando por um salário digno (visto que na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Neves é o município que paga o pior salário aos profissionais de educação),  mas a inerte administração do senhor prefeito Wallace Ventura, nem mesmo consegue negociar com a categoria uma pauta 'enxuta'.

Essa administração, assim como nos anos de 2009 e 2010 pediu aos professores que lhes creditassem mais um voto de confiança. A categoria, cansada de creditar confiança a uma administração inerte,  resolveu permanecer em greve. 

Manter uma greve não é algo fácil, e é contando com isso, que essa administração tem protelado as negociações, com a intenção de cansar o movimento de greve. Mas o cansaço dos educadores agora não é em manter a greve, pois sabemos bem a greve só acontece por que todos os outros recursos falharam. Os educadores estão cansados de esperar dessa prefeitura uma mudança de postura, cansados de esperar que os governantes dessa cidade pensem numa educação de qualidade, ao invés de pensar em barganhar com o Estado a construção de presídios no município.
Bem sabemos que não é por falta de verba que não se paga um salário digno ao educador em Neves, mas sim, por falta de interesse e, sabe-se lá quais outros motivos.

Reproduzo abaixo, os videos da última assembléia dos profissionais de educação de Ribeirão das Neves.