Para Refletirmos

O pensamento comunista me trás sentimentos de profundo amor. É como as gotas de chuva para as plantas depois de um longo período de estiagem: vem para purificar e dar lugar a nova estação.

Miriam Pacheco S. Seixas

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

OS MOVIMENTOS SOCIAIS, A MÍDIA TELEVISIVA E A UNIVERSIDADE

Por Míriam Pacheco


Aproveitando as férias voltei-me também á releitura de alguns artigos da revista Presença Pedagógica, que por sinal coloca no chinelo algumas revistas que também se dizem ser totalmente pedagógicas, mas que estão muito a quem de ser realmente.


Há matéria que me chamou atenção, e que gostaria de fazer um breve comentário, é a que trata de um dos assuntos que mais gosto: movimentos sociais. A matéria tem como título: “Diálogos entre universidade e movimentos sociais” (escrito por Cláudia Mayorga – Presença Pedagógica, Ed. nº 86/2009) para quem se interessa pelo assunto, sugiro como leitura.


O fato é que os movimentos sociais por anos a fio foram vistos pela universidade apenas como recursos de pesquisas, mas até então um recurso que se mantinha distante dos auditórios das universidades. Hoje em dia é muito mais que fonte de pesquisa, os movimentos sociais são fomentadores de discussões nos auditórios sobre o papel dos movimentos sociais bem como o papel própria universidade no âmbito social.


A mídia televisiva brasileira insiste em repetir seu discurso de cizânia aos movimentos sociais, e continua apregoando as manifestações sociais como sendo um grupo de ‘baderneiros’, um grupo de ‘pessoas irracionais’ e que só fazem valer seus direitos diante da força bruta. Por se tratar de mídia televisiva que se mantêm ao lado de seus patrocinadores diretos (merchandising) e ainda serve como palanque para recado subliminar de que só existem movimentos sociais por que o governo atual abre espaço demais para estes movimentos. Os recados subliminares da mídia televisiva bem que tenta dividir a culpa em tudo de ruim que acontece no país em dois personagens importantes: nos movimentos sociais e no atual governo que abre espaço para tais movimentos.


Enquanto a mídia televisiva fecha o espaço para os movimentos sociais as universidades abrem-lhes novas portas. As universidades abrem as portas para os movimentos sociais participarem efetivamente da discussão das questões de âmbito social e não ser apenas uma fonte de recursos de pesquisa. As universidades deixam de ser manterem distantes da sociedade, passando a ser colaboradora das discussões de caráter sociais e ajudando a resolver questões que fazem parte do anseio dos movimentos sociais.


As universidades, além de buscar nos movimentos sociais seus recursos para pesquisas, vão mais além, propõem projetos parceiros dos movimentos sociais que precisam ser valorizados, dentre eles cito o que mais me chama atenção o CEALE - por seu caráter inovador e que comprova resultados. Só abro um parêntese aqui, uma pequena crítica: é uma pena que alguns educadores não utilizem os Cadernos do CEALE com recurso pedagógico e como material de apoio ao seu trabalho.


“Órgão máximo do sistema educacional regular de um país, a universidade é hoje uma instituição de ensino que, em geral, compreende faculdades ou escolas em número variável, agrupadas em escolas profissionais e centros de ciências humanas, sociais e científico-tecnológicas, com autoridade para conferir títulos de graduação e pós-graduação. Mas ela é, sobretudo, uma idéia histórica, ou seja, a universidade está historicamente em íntima relação com os calores e instituições da sociedade. Ela é um fato histórico e, por isso, se queremos compreender a sua formação e função social, precisamos compreender a estrutura da realidade em que ela se manifesta, o que procura ocultar, as ações, pessoas, interesses e significados envolvidos na postulação de leis e decretos referentes à sua criação e desenvolvimento. Nesse sentido é preciso investigar não só o cultural, mas a conjuntura social, histórica e, principalmente, política do país, uma vez que todo projeto de universidade é elaborado dentro de uma realidade concreta, sob orientação de uma política cultural e educacional coerente com o projeto político do país. Isto é, a universidade é mais que um projeto técnico, cientifico e cultural, é também um projeto ideológico e político”. (FÁVERO, 1980 in Revista Presença Pedagógica, Ed. nº 86/2009, página 39)


Cláudia Mayorga – Professora do Departamento de Psicologia da UFMG e Coordenadora do Programa Conexões de Saberes na UFMG.



Aproveito para divulgar aqui o site da revista: www.presencapedagogica.com.br

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