Para Refletirmos

O pensamento comunista me trás sentimentos de profundo amor. É como as gotas de chuva para as plantas depois de um longo período de estiagem: vem para purificar e dar lugar a nova estação.

Miriam Pacheco S. Seixas

quarta-feira, 24 de junho de 2009





Por Míriam Pacheco da Silva Seixas


É muito comum que a comunidade associe movimentos populares com movimentos de arruaceiros, que provocam desordem por toda parte, pois é assim que são veiculados estes movimentos em meio ao mundo midiático televisivo.

Mas quais as intenções para demonizar algo que procura exatamente aquilo que a mídia tanto fala: direito de liberdade de expressão, liberdade democrática, de justiça, de igualdade de direitos?


Florestan Fernandes, apresentando Lênin, menciona o seguinte: “Os grandes revolucionários foram sempre alvo do ódio mais feroz, das mais furiosas campanhas de mentiras e difamação por parte das classes dominantes. Mas, depois da sua morte, tenta-se convertê-los em ídolos inofensivos, canonizá-los por assim dizer, cerca o seu nome de uma auréola de glória, para “consolo” das classes oprimidas e para o seu ludíbrio, enquanto se castra a substância do seu ensinamento revolucionário, embotando-lhe o gume, aviltando-o.” (O Estado e a Revolução, p.7.1983)


A fórmula capitalista funciona, e não é uma porção mágica, mas consiste na mistura de elementos ‘químicos’ capazes de produzir sentimentos de felicidade, mesmo nas vítimas experimentais do desastre anunciado (sensações de autoconfiança e satisfação são as químicas mais confiáveis para adquirir bons resultados). Como mola para empreendedorismo gigantesco, e em nome da ‘ordem social’, sem piedade, usam a força de seu poder de manter e manipular o Estado e assim, arrancar dos que se movimentam, através da força bruta ou psicológica toda e qualquer forma de reação, é preciso que aqueles que resistam mais tempo ao efeito da química, sejam de alguma forma atingida para não reagir e fomentar discórdia.


Certa vez alguém, de quem não me recorda a memória agora ao certo, me contou certa história que nunca esquecerei: Numa experiência com macacos de mesma espécie. Foram realizados vários testes usando pequenas porções de descarga elétrica, colocados numa jaula fechada, sempre de três em três animais, na parte alta da jaula, havia uma penca de belas bananas e para alcançar a penca uma escada que se subindo alguns degraus, logo acionava o disparo de descarga elétrica, havia anda na jaula objetos diversos, como pedras, tábuas e um pedaço de ferro. O fato é que apenas um dos macacos tentou subir a escada, mas desistiu nos primeiros degraus e quando qualquer um dos outros tentasse subir apanhavam já de cara. Ao retirar dois dos macacos, um era o que receberá a descarga.


Mas o mais impressionante na experiência é o fato da reação do macaco que ficará na jaula, que age com os novatos da mesma forma que aprendeu com a cobaia principal. Ao primeiro passo em direção à escada, os novatos são espancados e entendem isso como alerta para não tocarem na escada para alcançar as bananas. Retirado o macaco que recebeu a primeira informação, todos os demais aprendem que não podem deixar os novatos terem acesso a escada e outra lição é que de todos os objetos da jaula não usar nunca os de ferro, todos que usavam o de ferro, não tentavam bater mais, logo o grupo associava o objeto ao mal. Mesmo ao misturar o grupo havia certo consentimento entre todos que havia algo de errado com as bananas e o ferro, pois todos tentavam subir as escadas, mas ao apanhar acreditavam nessa possibilidade, pois não tentavam outras formas para retirarem as bananas, mas sempre algum tentava subir as escadas.


O exemplo se encaixa com o tratamento que a sociedade da aos movimentos sociais. Por causa dos interesses de uma minoria é melhor que seja punida a maioria, para o ‘bem-estar’ social. Tal minoria são homens de grandes corporações que são economicamente mais ricos e se sentem alvos dos arruaceiros de plantão.


Paulo Freire, em seu livro Pedagogia do Oprimido explica um pouco de como é o comportamento das nossas classes sociais e o papel que os indivíduos encenam.

Na nossa sociedade não há movimentos de reivindicações sem passar por repressão. Todos os que se manifestam são punidos, ou sentem por aqueles que estão sentindo na pele a punição e com isso se acomodam. “O Estado é o produto e a manifestação do antagonismo inconciliável das classes”. Afinal, mais que os macacos, sabemos que o problema não está na banana, ou nos objetos, mas na ‘escada’ que leva até as ‘bananas’.


Porém, por vezes, nos comportamos de forma mais selvagem que os inocentes macacos. Uma vez que além da linguagem, podemos construir conexões entre fatos, mas isso é algo que estamos desaprendendo.


“A burguesia e os oportunistas do movimento operário se unem presentemente para infligir ao marxismo um tal “tratamento”. Esquece-se, esbate-se, desvirtua-se o lado revolucionário, a essência revolucionária da doutrina, a sua alma revolucionaria. Exalta-se e coloca-se em primeiro plano o que é ou parece aceitável para a burguesia.” (O Estado e a Revolução, p.7-8. 1983)


Na história sobre o descobrimento, ou melhor, invasão da América Latina verá um cenário de massacre dos povos que habitavam estas terras. Terras as quais, abençoadas por uma grande inocência durantes séculos, uma divindade inocente, que não compartilhava com seus crentes o sentimento de poder e riqueza, antes havia um sentimento singelo, um espírito que divide sua responsabilidade com seres humanos. Os povos latinos americanos da época da invasão guerreavam entre si não pelo sentimento de ser maior que o outro, mas era uma questão de defensa de território, crença, etnia, jamais por ganância ou possessão de algo indevido.


Todos os movimentos sociais deveriam ter o seu direito de manifestar, que não fosse pela força bruta, mas a eles não restam à menor possibilidade, senão que pela força. Mas se não conseguem manifestar-se pacificamente, há que ser pela força das mãos do povo mesmo. E do meio do povo surge sempre um para guiar suas ações, e ser porta voz do seu grupo. Exemplos desses movimentos, temos o MST (Movimento dos Sem Terra), que já mostrou sua luta e sua coragem através de sua marcha e de outras manifestações que já se propuseram a fazer e que sempre tem uma divulgação negativa pela mídia global. Outro grupo tão importante dos movimentos sociais é o do México, o EZLN (Exercito Zapatista de Libertação Nacional), que não tem medo de gritar seu clamor: “Aqui Estamos, nós existimos”. O que estes dois movimentos têm em comum? A luta pela reforma agrária, pelo direito ancestralmente herdado pelos seus povos indígenas, ao quinhão a todos os filhos que da terra sobrevivem.





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