Para Refletirmos

O pensamento comunista me trás sentimentos de profundo amor. É como as gotas de chuva para as plantas depois de um longo período de estiagem: vem para purificar e dar lugar a nova estação.

Miriam Pacheco S. Seixas

sexta-feira, 29 de maio de 2009

O DESCASO DIANTE DO ESCÂNDALO DO LIVRO DIDÁTICO


O Brasil inteiro tem acompanhado a questão: mais um dos escândalos dos livros didáticos no Estado de São Paulo. Neste texto quero pura e simplesmente comentar como são feitas as escolhas de livros nas escolas públicas Brasil afora, pois é a forma de escolher é padrão (vale ressaltar que este ano estamos com resolução nova para a escolha, e é preciso conhecer essa resolução), é o PNLD (Programa Nacional do Livro Didático).

Não tendo a pretensão de eximir os culpados, quaisquer que sejam eles. Nos últimos meses o país tem sido bombardeado com a questão dos crimes de pedofilia, tanto dentro, como fora do território tupiniquim, porém o sensacionalismo midiático continua como vilão, por informar parcialmente a população.

Na tentativa de verificar todos os ‘possíveis’ culpados, precisaremos ir de encontro aos interesses de nossas vítimas, que, no caso, de tratam de pequenos inocentes: nossas crianças.

Peço licença para falar em prol da ordem social e não somente defender ou acusar, quem quer que sejam os culpados. O caso não de honra profissional, tomando as dores da classe sindical dos professores, mas é mesmo de indignação social.

Ora, todos nós temos responsabilidades com as crianças de acordo com a ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), sem eximir a sociedade de sua culpa pelo descaso geral com as crianças, digo: a LDB (Lei de Diretrizes e Bases), de 1996, deveria ser apenas o começo para regulamentarmos melhor a educação no país. Mas uma década se passou e mais nada foi regulamentado. Criaram-se vários outros mecanismos, mas a LDB precisa ser revista, pois ela não deixa claro o papel de cada ente social, na educação. Ficou muito mais a cargo governamental, que social.

A escola passou a ser depósito de criança, onde os pais também depositam as esperanças, quanto à formação moral de seu filho. Mas pergunto: O que a escola deve ensinar? Conteúdos ou comportamento social?

Bom, com disse, rever a LDB seria um passo, mas não o primeiro. O primeiro deve ser organizamo-nos para debater seriamente o papel da escola. E com todos participando veremos onde estamos errando, proporemos idéias, acertaremos, assim, os ponteiros de um relógio que não deveria marcar um futuro tão incerto para os inocentes.

E por que digo isso? Quando estava fazendo minha pós-graduação, em determinado conteúdo, nos deparamos com o assunto: escolha do livro didático, assunto que não ficou claro pra nenhuma das presentes, pois o assunto foi levantado da seguinte forma: se o livro passou por uma avaliação de pessoas qualificadas como: PHD, Doutores e Mestres em Educação, então por que não chega um material já seleto entre os melhores? A professora em voga estava nos administrando o curso, fazia mestrado em Barcelona e participava do seleto grupo de avaliadores dos livros didáticos. Quando a escola recebe a lista de livros para escolha, são poucas os profissionais que lêem o resumo sobre o conteúdo a ser ministrado. Alguns escolhem pela capa. Ora, estamos tratando de livro didático, ou escolhendo um livro de romance para distrairmo-nos? Mas o ponto ainda não é este, agora vêm às perguntas mais difíceis: Quem avaliou o livro previamente, e profissionalmente faz parte de um grupo seleto entre os melhores e mais renomados então, por que, deixar entrar na lista de livros didáticos aqueles que receberam classificação C, D, ou E? Por que já deixaram de fora estes e deixou apenas duas classificações (A e B), para os profissionais de ponta, aquele que faz o serviço braçal?

E digo mais: ora qual a formação acadêmica para quem elabora um livro didático? Garanto que passa primeiro pelos interesses financeiros, e em geral de pessoas que estão fora da prática de sala de aula ou nem nunca colocarão os pés na escola como profissional da educação. Senhores, livro no Brasil, é lucrativo, principalmente o didático, todo início de ano, recebemos a lista de material escolar e está lá o pedido. É preciso renovar o estoque. Mas, é o professor de ponta que rala, perde voz, passa por apuros e hilários momentos, que recebe um salário vergonhoso, sim, é este profissional vai escolher o livro, que muitos especialistas, das mais renomadas áreas, consideram – principalmente, se for professora de séries iniciais, a quem demos a liberdade de ser da família: a tia, e retomo ao livro de Paulo Freire, cujo título é: Professora sim, Tia não – Cartas a quem ousa ensinar (editora olhos d’água: 1977) –, sim, ao profissional visto como desqualificado, caberá a decisão de tal empreitada, é este quem faz a escolha. Ora você contrata um engenheiro para realizar determinada obra, mas o pedreiro é quem vai escolher o material? E você deixa, sem fazer objeções? Com certeza a resposta será não, pois sabemos que um edifício é feito de materiais e mão de obra qualificada, e é por segurança que se tem um engenheiro responsável.

Já quanto à educação: quem pega a empreitada de edificar a educação é um ‘peão de obra’, mas que serve, também de ‘escora’ na construção do edifício, que nem começou as obras, e já está prestes a desabar (digo isto, por que temos uma história de pouco mais de 500 anos de país). Quais os futuros têm planejando para os nossos filhos? O que estamos fazendo com nossas crianças? Quando nos daremos conta do caos social que estamos produzindo e perpetuando para o futuro? Espero que consigamos salvar alguma criança para contar histórias.

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